IT Mídia
por Fábio Gandour
Inovação | 4 de janeiro de 2012

10 recomendações para ter em mente quando pensar em inovação

10 - Desconfie muito de qualquer lista de recomendações sobre inovação!

Ano após ano, quando o medidor temporal fecha o seu ciclo, é inevitável resistir à sensação da necessidade de preparo para o ano que se aproxima. Se este preparo funciona ou não, é outra história, mas ele se apoia basicamente em duas atividades: exercícios de futurologia e produção de tabelas prescritivas, com recomendações a serem seguida à risca e ai de quem ignorar a prescrição!

Há tempos, executo paciente e criteriosamente uma tarefa nesta época do ano: coleciono exercícios de futurologia. Esta coleção tem me produzido vários resultados, mas dois deles são especiais: o primeiro é o encadeamento da tecnologia, pois o que acontece em um ano influi no ano seguinte, e o segundo é a diversão que certas previsões me trazem algum tempo depois.

Agora, me vejo diante de uma oportunidade nova: criar uma tabela prescritiva em torno do tema inovação. Claro que não vou perder esta oportunidade! E acho que esta tabela só faz sentido se for construída de forma inovadora. Para isto, vou me apoiar nas experiências vividas ao longo de tanto tempo dedicado ao tema e faço a você, leitor, uma sugestão: colecione esta tabela e vamos voltar a conversar sobre este mesmo tema no próximo ano. Vamos ver se a prescrição funcionou ou não. Vai ser, no mínimo, bem divertido! Lá vai:

Coisas que você deve fazer e não deve fazer, ou deve evitar, neste movediço terreno da inovação:

1 A filosofia ensina que uma coisa só é válida e sensata se o seu extremo oposto também é válido! Portanto, algo só pode ser inovado se também puder ser “envelhado”. Se algo não pode ficar velho, também não pode ser inovado.

2 Se você é patrão, não se esqueça que os verdadeiros inovadores são seres estranhos. Estranhos em todos os sentidos. Roupas estranhas, conversas estranhas, comidas estranhas, diversões estranhas. Às vezes, andam em bandos. Outras vezes, vivem isolados. E eles também te acham muito estranho. Portanto, respeitem-se!

3 Se você é empregado, lembre-se que o seu patrão fala de inovação só porque é uma palavra da moda. De fato, para ele a inovação só trará mais custos e menos atenção no que ele acha que de fato precisa ser feito. Apesar disto, siga inovando. Se não na sua empresa, na que está do outro lado da rua!

4 Parece que inovar um produto é sempre mais fácil do que inovar um processo. Afinal, o produto você pega e vê. O processo você só sente. Na verdade, para inovar em produtos você precisa de um monte de coisa e para inovar um processo você só precisa dos seus neurônios, tempo, lápis e papel. Dedique-se a inovar nos processos. Há grande risco de sucesso!

5 Inovar leva tempo e requer conhecimento.  O conhecimento nem precisa ser explícito. Pode ser tácito. Mas para adquirir conhecimento de qualquer tipo, também é preciso tempo. Portanto, se você não tem tempo, invista a sua falta de conhecimento em outra coisa e deixa a inovação para lá…

6 Inovar custa dinheiro. Não só para promover a inventividade e a criatividade, mas principalmente para tirar a idéia do PowerPoint e fazer ela se materializar no mundo das coisas reais, em produto ou em processo. Inovação construída sem nenhum investimento tem outro nome: milagre!

7 Teorias sobre inovação existem aos montes. Experiências práticas com as teorias existentes são mais escassas. E resultados confiáveis na aplicação prática das teorias são ainda mais raros. Portanto, não dá para acreditar em tudo que está escrito sobre este tema.

8 Inovação requer dois ingredientes essenciais: inventividade e usabilidade. Inventar algo muito bom, mas que ninguém usa não inova. E para ser usada, uma invenção precisa ser concebida, desde o início, pensando em usabilidade.

9 Existem várias fórmulas para resumir o conceito de inovação, mas eu fico com esta: Inovação = Invenção + Usabilidade. Ela aumenta, pelo menos, a possibilidade de aproveitamento do valor agregado pela inovação. E isto vira dinheiro.

10 Desconfie muito de qualquer lista de recomendações sobre inovação!

Fábio Gandour

Dr. Fábio Gandour é graduado em Medicina e em Ciências da Computação. É membro da Academia de Ciências de New York e da Academia IBM de Tecnologia. Ingressou na IBM Brasil em 1990, tendo atuado no país e no exterior nas áreas de Engenharia de Software, Estratégia de Marketing, Desenvolvimento de Mercado e Desenho de Soluções. Como Cientista Chefe da companhia liderou, entre outras iniciativas, o projeto que resultou na instalação de um laboratório de pesquisa da IBM Research Division no Brasil.

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