Vivemos em 2011 um ambiente macroeconômico intenso e incerto, que deve se manter em 2012, com o agravamento da crise econômica mundial. Neste ambiente, o Brasil continuará se esforçando para manter o crescimento do PIB em níveis saudáveis, sem pressionar a inflação. Em 2012, os investidores e empresários devem agir com cautela, preparando-se para um período de incertezas, que pode se alongar por mais de um ano.
1 Juros: A taxa Selic deve atingir 9,75% ao ano, com o Banco Central trabalhando para manter o aquecimento da economia e trazer a inflação para o centro da meta. Entretanto, o spread bancário deve continuar alto, ao não repassar ao consumidor o total da redução dos juros, dada a incerteza do cenário econômico mundial.
2 Inflação: O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deve se estabelecer em torno de 5,5% ao ano em 2012. O desaquecimento da economia mundial, agravado pela crise europeia, tende a afetar o indicador.
3 Preços Administrados: Devem manter a tendência histórica e ser reajustados de acordo com a meta inflacionária de 4,5% ao ano, estabelecida pelo Banco Central.
4 Câmbio: Com o agravamento da crise mundial, o dólar tende a se depreciar, chegando aos 1,70 reais em 2012. A apreciação demasiada do Real prejudica diretamente a demanda para itens produzidos no Brasil, com a queda das exportações e do consumo interno. Por conseguinte, o setor industrial brasileiro tende a andar de lado em 2012.
5 PIB: O PIB brasileiro tende a se manter em torno de 3,5%, mesmo com incentivos governamentais prócrescimento.
6 Produção Industrial: Deve seguir a mesma tendência do PIB nacional, com um crescimento estimado na casa de 3,5%. As deficiências que tanto afetam o setor industrial brasileiro, como falta de infraestrutura e política tributária ineficiente, agravarão ainda mais a competitividade industrial interna frente aos produtos importados, dado um cenário macroeconômico não tão atraente como nos anos anteriores.
7 Dívida do setor público: O governo não indica que efetuará mudanças radicais em seu nível de gastos, levando a crer que a dívida do setor público se manterá em torno de 40% da dívida total da União.
8 Balança comercial: Com o desaquecimento da economia, o superávit da balança comercial brasileira deve cair para a casa dos 17 bilhões de reais anuais.
9 Saldo em conta corrente: O saldo em conta corrente brasileiro deve diminuir de 54 bilhões de dólares para cerca de 68 bilhões de dólares .
10 Ações: Dado o ambiente de incerteza econômica, o mercado de ações continuará apresentando altíssimo risco, quando ponderado pelo seu retorno esperado, fazendo com que a renda fixa ainda seja a melhor alternativa de investimento em 2012.
11 Investimento estrangeiro: Também afetado pela incerteza econômica mundial, o investimento estrangeiro direto tende a recuar 10% em relação a 2011, com investidores se voltando para investimentos (e países) de menor risco.
12 Bolha imobiliária: Evidencia-se no Brasil o surgimento de uma bolha imobiliária, que se forma desde 2008. A bolha fica evidente quando comparamos a taxa de aluguel (aluguel sobre valor de venda do imóvel) com a taxa anual Selic. Com o agravamento da crise, existe a chance desta bolha estourar, depreciando significativamente o valor dos imóveis no Brasil, principalmente nas capitais.