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Eu já escrevi nesta coluna sobre o conceito de inovação disruptiva, que é o tipo mais difícil para empresas já estabelecidas. Isso porque ela começa com produtos mais simples, com lucros menores, em mercados piores. Companhias bem situadas simplesmente não conseguem priorizar projetos “piores”, em cima de oportunidades de investir em melhorias no negócio principal, que normalmente tem retornos mais expressivos, com menos riscos. Porém, há vários estudos que comprovam que é a inovação disruptiva que criou quase todas as grandes oportunidades de criação de nova riqueza econômica. Resumindo a ópera: inovação disruptiva é muito difícil, mais vale a pena.
O setor de educação nos dá um exemplo ótimo para olhar as possibilidades e talvez seja o setor mais importante para o futuro do Brasil. A possibilidade do País mudar de patamar depende nitidamente dele.
Entretanto, é um setor com muito pouca inovação. O modelo de educação – professor, turma de alunos, livro e sala de aula – mudou muito pouco nos últimos 200 anos. As poucas tentativas de incorporar tecnologia aparentemente tem mais o efeito de deixar o aluno fazer “chats” e responder e-mails durante uma aula chata do que realmente inovar no modelo de aprendizagem. Dada a importância deste setor, acho que um olhar dos potencias para inovação disruptiva vale a pena.
O modelo atual de educação começou no século 19. Naquela época, estava em pleno crescimento um novo modelo político: a democracia. Ela nasceu no século 17, como um experimento muito arriscado. Nunca antes a seleção dos poderes nacionais foi dada ao “povo”. Isto sempre foi feito por um superior, ou uma classe de elite. Os proponentes do modelo democrático (Jefferson, Washington, etc.) tinham muito medo do experimento, achando que, se o “povo” não tivesse uma formação adequada, o modelo poderia quebrar por não escolher bem os líderes políticos (um claro problema que sofremos no Brasil). Para aliviar a questão, eles criaram um modelo de educação universal, financiado pelo governo, usando um formato massificado (um professor e muitos alunos). Importante notar que o modelo não nasceu para formar pessoas para empregos e profissões, mas para criar um cidadão melhor, com maior capacidade de escolher seus líderes.
No começo do século 20, com a transformação industrial em pleno vapor, foi dada uma nova tarefa a este padrão educacional: formar trabalhadores e ensinar habilidades básicas (alfabetização, cálculos etc). O importante a notar é que o modelo acrescentou esta tarefa em cima da tarefa anterior (formar cidadãos). E agora tinha que cumprir duas funções!
Depois do término da segunda guerra mundial, com tantos homens voltando de guerra que precisavam ser empregados, foi dada mais uma tarefa fundamental ao modelo de educação. As escolas expandiram suas matérias para incluir artes, música, esportes e até profissões técnicas e domésticas (no colégio, eu mesmo tive que fazer cursos de costura, cozinha, mecânica etc, em paralelo aos cursos de preparação para faculdade). De novo, esta nova tarefa foi dada sem abrir mão das anteriores, e sem grandes mudanças do modelo em si (professor, sala e livro). O modelo estava bem cheio de tarefas.
Nos últimos 20 anos, mais uma atribuição fundamental foi colocada em cima deste padrão cada vez mais frágil: a eliminação de pobreza e da desigualdade. Nos últimos anos, programas de governo e as próprias crenças dos indivíduos deram esta tarefa ao modelo educacional para equilibrar as vantagens econômicas e sociais. Realmente, este modelo educacional está mesmo sobrecarregado.
Não são necessárias “melhorias” no modelo (melhores professores, salas e livros), mas, de fato, um novo modelo mais adequado à variedade, quantidade e importância das tarefas que ele tem que cumprir. A inovação disruptiva gera a oportunidade de fazer isto. Neste conceito, o modelo focado no professor vira um padrão focado no diagnóstico do aluno e a facilitação de ferramentas e processos de aprendizagem, que combinam com o tipo de inteligência dominante do aluno (existem sete tipos de inteligências). Em vez de forçar todos no mesmo formato, este diagnóstico do aluno o ajudará a enxergar as ferramentas e processos de aprendizagem que funcionam melhor para ele. A mudança para esta plataforma educacional será disruptiva, pois elimina a necessidade de salas e infraestrutura tão cara, e é focada no estilo de aprendizagem do aluno, em vez do ensino do professor.
Precisamos repensar o modelo educacional como um todo, em vez de continuar investindo recursos na melhoria do modelo atual.
Kip Garland é fundador da innovationSEED®, consultoria de inovação. Ele é formado em Física e tornou-se um empreendedor e um renomado consultor global de inovação. Kip liderou a implementação do projeto de maior sucesso de inovação e transformação do atual contexto corporativo da América Latina: Brastemp/Whirlpool. Em função desse projeto, a empresa tornou-se uma das 100 companhias mais inovadoras do mundo segundo a Business Week.
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