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Esta semana convidei o novo analista de mercado de tecnologia da Frost & Sullivan Bruno Tasco para destacar principais projetos importantes de ICT que estão sendo discutidos em Brasília. O Bruno conversou com Antonio Gil, Presidente da Brasscom para debater potenciais ganhos com estas medidas do governo federal.
O mercado brasileiro é extremamente competente, profissional e sofisticado no que tange ao consume de tecnologia. Grandes segmentos verticais como Financeiro, Manufatura, Energia e Agricultura tem TI muito ligado ao negócio e, novos segmentos como Health começam a ampliar os investimentos em TI. Porém, algumas questões ainda retardam o desenvolvimento mais acelerado de TI no Brasil como altos custo e falta de mão de obra, mas esse cenário está para mudar.
Os custos com altos salários e encargos trabalhistas dificultam a competitividade do país. A MP 540 ataca em cheio a questão de custo, desonerando em 20% a folha de pagamento. A contibuição previdenciária passaria a ser de 2,5% sobre o faturamento das empresas. De acordo com Antonio Gil, Presidente da Brasscom, a expectativa é que nos próximos 3 anos, os custos com folha caiam R$ 1 bilhão por ano.
Outro beneficio da MP 540 é a organização dos modelos de contratação. Segundo Gil, 50% dos profissionais de TI no Brasil são informais, com modelos de contratação muito menos custosos do que o modelo CLT, tornando desigual a concorrencia e competitividade. Porém, os outros modelos que em teoria aparentam um benefício de custo, geram muito passivo trabalhista dificultando capitalização das empresas. Em resumo, a MP 540 trabalha a favor do mercado para reduzir custo, formalizar a mão de obra e favorecer as empresas no momento de capitalização de investimento.
A questão de custo não é o único grande problema das empresas no mercado brasileiro. Vivemos uma escassez de mão de obra e encontrar profissionais capacitados e qualificados tem sido o grande gargalo das empresas. Nesse cenário, é muito importante olhar com atenção as questões de custos mas também é preciso formar, qualificar e preparar profissionais para o mercado. Em função disso, dois programas de formação foram destacados na visão de Antonio Gil. O Pronatec e o Ciência sem Fronteiras.
Segundo Gil, o Pronatec treinará, até 2014, cerca de 8 milhões de pessoas em todas as áreas do conhecimento, dos quais em torno de 400 mil devem ser para TI. O setor conta com 1,2 milhões de profissionais atualmente no Brasil e até 2020, serão necessários mais 750 mil para atender as demandas de mercado.
O outro programa citado por Gil, Ciência sem Fronteiras, tem por objetivo conceder 100 mil bolsas de estudo para alunos de graduação e pós-graduação nas melhores instituições de ensino do mundo. Desse total, cerca de 75 mill serão oferecidas pelo governo e as outras 25 mil pela iniciativa privada e outras instituições. O objetivo é promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira.
A MP 540 vem com a proposta de solucionar os problemas de custos e informalidade e também será um facilitador na formação e retenção de profissinais, seguindo a linha dos programas citados por Gil já que, com a desoneração das folhas de pagamentos, as empresas podem se organizar e destinar mais investimento na equipe interna. Tudo vai depender da estratégia.
Esperemos que pelo bem do mercado brasileiro os políticos priorizem a aprovação desta medida já no começo de 2012.
Fernando Belfort é analista de mercado sênior da Frost & Sullivan para o mercado de TI na América Latina. Na companhia desde 2007, é responsável por estudos e projetos de consultoria na área de tecnologia da informação realizando análises tecnológicas e de mercado que auxiliam as tomadas de decisões e o planejamento estratégico das principais prestadoras de serviço e provedores de software e hardware. Neste blog, comenta os principais fatos envolvendo o setor de tecnologia.
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