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Digamos que eu te pergunte agora: quais as prioridades da sua vida?
Você provavelmente irá me dizer a seguinte ordem: minha família, qualidade de vida, minha carreira, sonhos pessoais, minha religião. Perguntei para 10 amigos e, bingo, todos me responderam a mesma coisa.
Vamos então à provocação.
Digamos que você tenha, como todos os seres humanos, 168 horas semanais. Desse montante vamos agora verificar se a frase acima faz sentido. Você dedica umas 3 horas por dia para sua família (isso se você chegar em casa cedo e antes de sair ficar um pouco com todos), a soma de segunda a sexta é de 15 horas, no final de semana eles ganham 12 horas por dia, totalizando 39 horas de suas 168 iniciais.
Do total você usa 2 horas por dia para uma academia, se alimenta bem todos os dias, totalizando mais 1 hora de boa comida, o que numa semana dá 15 horas. Nos finais de semana esse número salta com uma boa caminhada e uma bela alimentação, regrada, cheia de legumes, verduras, nada de álcool, para 20 horas semanais.
Até agora, das iniciais 168 horas, 35 foram usadas em qualidade de vida, onde de forma antiética inclui a alimentação. Somadas às 39 horas destinadas à família temos um total de 59 horas, sobrando 109 horas, que você usará para trabalhar, pegar transito, etc.
Em total de horas, o tempo destinado à carreira é de quase o dobro com relação às prioridades 1 e 2, isso considerando que você as pratica nos formatos acima, o que duvido veementemente.
Sendo assim, todos os dias, agimos de forma diferente do que falamos, seja por comodismo, má alocação do tempo, ou simplesmente porque respondemos errado.
O mais importante disso tudo não é discutirmos o tempo de nosso trabalho, se podemos ou não sair mais cedo, mais tarde, mas temos que saber que destinamos mais tempo para outras coisas e ponto. Simples assim.
Uma mudança nisso tudo é tão difícil quanto nascer de novo, precisamos saber também disso. Nossos filhos podem nascer e crescer sem que o vejamos. Você pode perder a incrível cena de ver seu filho andando pela primeira vez, subindo num elevador panorâmico pela primeira vez, e estará nessa hora discutindo métricas de venda ou uma possível alocação de recursos em uma área x ou y da empresa. Até onde isso tudo nos leva? Até onde tudo isso nos motiva a sermos melhores?
Nossos filhos podem num dia a noite querer conversar, querer contar sobre os seus dias. O espaço de diálogo está acabando nas casas, substituídos por iPads, notebooks, iPhones, e muitos pais adoram, dizem que seus filhos estão quietinhos e então podem trabalhar em mais planilhas em casa.
O único adulto capaz de conversar com alguns filhos é o professor, e motivado por sua função na sociedade, de educar, conflita diariamente com filhos educados em casa por IPADs e uma grande sorte de espaço, distração e liberdade. O resultado, meus amigos, estamos conhecendo aos poucos. Alunos atirando em professores, matando amiguinhos na escola.
E o culpado quem é? O bullying!
Temos 168 horas para destinar ao que queremos. A prioridade nós é quem escolhemos, com o ônus e o bônus da escolha.
Boa escolha meus amigos. Boa escolha!
Alberto Leite é diretor executivo da IT Mídia S.A., empresa líder no fornecimento de informações para os setores de TI, Telecom, Saúde e Finanças. Colunista da revista CRN Brasil, tem se dedicado ao desenvolvimento de todo o canal de distribuição brasileiro.
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