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Há alguns dias o mercado de TI viveu uma situação pouco comum no setor: um movimento de greve, articulado pelo Sindpd – ação que levantou uma série de indagações e trouxe poucas respostas. Do ponto de vista de comunicação e imagem institucional, greves são sempre algo a se evitar – afinal nenhuma empresa deseja ver a foto de uma manifestação de grevistas na porta de sua sede estampando jornais: é ruim, denota intolerância e inoperância da empresa na condução de questões que deveriam ser resolvidas de forma positiva, pela mediação de interesses. Afinal, como dizem na cultura popular, “é conversando que a gente se entende”.Não foi assim que aconteceu neste caso. Acompanhando os acontecimentos pela imprensa e redes sociais, o que se via era um exemplo do quanto a falta de diálogo permanente e sistemático pode atingir a reputação de empresas e causar prejuízos bem concreto$ para os negócios.O ponto que mais chamou a minha atenção foi o posicionamento dos profissionais na internet: nos blogs mais acessados por eles, a questão mais apontada era: “Que greve é essa? Está tendo greve? Por quê? Não estava sabendo de nada… Soube agora por vocês (pelo blog)”.Ou seja, os profissionais eram o centro da questão, tinham o poder de definir os rumos que o caso iria tomar, mas estavam à margem do processo. Resultado: não se chegou a nenhum consenso e a decisão ficará a cargo do judiciário. Dois mais dois: Quando não existem políticas claras de diálogo e mediação de interesses dentro das empresas em relação aos seus funcionários, o risco de uma intervenção externa – no caso, dos sindicatos – se torna muito maior. E aí a iminência de greves como forma de “resolução” dos pontos discordantes é praticamente certa, pois, postos de lado por seus superiores nas negociações, os trabalhadores tornam-se mais propícios a aderir a movimentos externos mais radicais. Ainda mais quando se fala em categorias profissionais que podem reunir grande número de profissionais em uma mesma organização, como é o caso de TI. O ideal é que a própria empresa seja a provedora de informações sobre o setor e sobre sua própria atuação para os funcionários, por meio de boletins informativos, reuniões, difusão de balanços sociais e relatórios de resultados e planejamentos por departamento. Quando isso acontece, a influência externa deixa de ter tanto impacto, e o funcionário passa a confiar mais na empresa em que trabalha, sentindo-se parte do processo e ficando menos suscetível a ações externas contrárias à organização ou que possam comprometer suas operações. Claro que um plano de comunicação interna sozinho não evita crises. Mas ao menos dá mais sustentação à organização quando a crise acontecer, fazendo com que ela perca sua força destrutiva. Isto porque funcionários e empresas estarão juntos, ainda que seja para discutir suas divergências.
Elaine Lina é sócia da Thot Comunicação Corporativa, especialista em Gestão Estratégica da Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela ECA/USP, além de atual presidente do Conrerp 2ª Região, SP/PR (Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas). Atua há dez anos com a gestão da marca e de reputações organizacionais. É também professora universitária em cursos de Comunicação Social e Marketing, além de ministrar palestras sobre relações públicas, relacionamento com a imprensa e gestão de crises de imagem - esta última seu foco principal de estudos e pesquisas.
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